Article at “Pinhal News”

On June 29, 2019, the weekly newspaper Pinhal News, printed in Espírito Santo do Pinhal, in the interior of the state of São Paulo (Brazil), published an article by Ricardo Biazotto, a member of REGIONEM. This is a review of a book that was a finalist for the Jabuti trophy, one of the most prestigious literary awards in the Portuguese language world, in 2017.

Confines of French Cuisine (by Ricardo Biazotto)

Although not one of the arts listed by Italian critic Ricciotto Canudo in his Manifesto of Seven Arts (1923), there is no doubt that cooking is a man-made artistic form. There is not a single person in the world who does not surrender to a good dish or is tempted to prepare a special recipe in search of a catharsis of flavors and to experience unforgettable moments with the people he loves.

In this sense, Paris-Brest (São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2016) is a perfect choice and serves as an indispensable accompaniment for culinary art lovers. Written by Alexandre Staut, the book was, with merit, a finalist for the 2017 Jabuti Prize and invites us to make a delicious immersion in French cuisine, following the period in which the author lived in the country and how he faced daily the bustle of local cuisines.

The main setting of the book is the small L’Aber Wrac’h, a village located in Brittany and responsible for presenting an unconventional, sometimes unknown, side of France, far from the charm of the museums and historical buildings of the big cities.

More than ten years ago, in the period reported in the book, the author was obliged to “understand a little more about that unknown and discreet France, which appears little in the tourist guides” and the same happens throughout the work, in which characteristics, characters and peculiar situations are narrated with the elegance of a true storyteller.

Through a memorialist style, Staut rescues all those long months in French territory, presenting his difficulties to adapt and live abroad; rescuing historical facts about French and European cuisine, including the Middle Ages, as well as recording recipes that give life to their narratives in a very particular way. These are recipes that blend the elegance of French cuisine, often with a Brazilian touch, reinforcing the idea that we Brazilians also have a lot to offer Europeans, even when it comes to cooking.

Paris-Brest is not simply a work of travel memories, nor a cookbook to keep in store, waiting for the right day to pull out of the drawer. In the end, it is the best work of the author and marked by a homogeneous blend of quality and subtlety, which impresses by providing a tour to the ends of a France desired by every lover of that cuisine.

* * *

Em 29 de junho de 2019, o semanário Pinhal News, impresso em Espírito Santo do Pinhal, no interior do estado de São Paulo, publicou um artigo de Ricardo Biazotto, integrante de REGIONEM. Trata-se de uma resenha de um livro que foi finalista do troféu Jabuti, um dos prêmios literários de maior prestígio no mundo da língua portuguesa, no ano de 2016.

Acompanhe, a seguir, o conteúdo produzido por Ricardo Biazotto.

Confins da culinária francesa (por Ricardo Biazotto)

Embora não seja uma das artes enumeradas pelo crítico italiano Ricciotto Canudo em seu Manifesto das Sete Artes (1923), não há dúvidas que a culinária é uma forma artística produzida pelo homem. Não há no mundo uma única pessoa que não se renda a um bom prato ou não fique tentado a preparar uma receita especial, em busca de uma catarse de sabores e para vivenciar momentos inesquecíveis ao lado das pessoas que ama.

Nesse sentido, Paris-Brest (Companhia Editora Nacional, 2016) é uma escolha perfeita e serve como acompanhamento indispensável para os amantes da arte culinária. Escrito pelo pinhalense Alexandre Staut, o livro foi, com méritos, finalista do Prêmio Jabuti 2017 e nos convida a fazer uma deliciosa imersão na culinária francesa, acompanhando o período em que o autor viveu no país e como ele encarou diariamente a agitação das cozinhas locais.

O principal cenário do livro é a pequena L’Aber Wrac’h, aldeia localizada na Bretanha e responsável por apresentar um lado pouco convencional, por vezes desconhecido, da França, bem longe do charme dos museus e dos prédios históricos das grandes cidades. Há mais de dez anos, no período relatado no livro, o autor foi obrigado a “entender um pouco mais daquela França desconhecida e discreta, que pouco aparece nos guias de turismo” e o mesmo ocorre ao longo da obra, em que características, personagens e situações peculiares são narradas com a elegância de um verdadeiro contador de histórias.

Através de um estilo memorialista, Staut resgata todos aqueles longos meses em que esteve em território francês, apresentando suas dificuldades para se adaptar e viver no exterior; resgatando fatos históricos sobre a culinária francesa e europeia, inclusive da Idade Média, e também registrando receitas que dão vida às suas narrativas de um modo muito particular. São receitas que mesclam a elegância da culinária francesa, muitas vezes, com um toque brasileiro, reforçando a ideia de que nós, brasileiros, também temos muito a oferecer para os europeus, inclusive quando se trata de culinária.

Paris-Brest não é simplesmente uma obra de memórias de viagem, tampouco um livro de receitas para se manter guardado, esperando o dia adequado para se tirar da gaveta. No fundo, é o melhor trabalho do autor e marcado por uma mistura homogênea de qualidade e sutileza, que impressiona por proporcionar um passeio aos confins de uma França desejada por todo amante daquela culinária.

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